Por Filippo Chiariello*
O mercado de pavimentação rodoviária vive um momento de mudança no país. Estimativas do DNIT indicam que o uso do concreto nas rodovias federais deve subir de 2% para 10% nos próximos dez anos¹, refletindo uma busca por soluções menos dependentes do asfalto (CAP) e que sejam mais sustentáveis e economicamente vantajosas. Neste artigo, apresentamos alguns projetos que vêm sendo desenvolvidos nas concessionárias da EcoRodovias seguindo uma política de investimentos contínuos em pesquisa, inovação e engenharia orientada para o melhor desempenho, tanto do ponto de vista de otimização de recursos, quanto sob aspectos ambientais e de segurança viária.
Um dos pilares da nossa atuação é o reaproveitamento integral do material fresado (RAP – Reclaimed Asphalt Pavement) proveniente das obras de recapeamento. Na EcoRodovias, adotamos três diferentes técnicas para reutilizar o RAP, escolhendo a mais adequada conforme critérios logísticos, econômicos e de performance.
Iniciamos o uso do RAP na forma de FATC (Fresado Asfáltico Tratado com Cimento) na malha da concessionária Ecovias Imigrantes, utilizando-o dosado com cimento e brita para compor uma base robusta. Entre 2011 e 2015, fomos pioneiros na aplicação do fresado em mistura para composição de uma base espumada, desenvolvendo uma solução para a Ecovias Leste Paulista. Na ocasião, recebemos o prêmio inovação Artesp. Mais recentemente, passamos a empregar o RAP combinado com emulsão para formar uma base negra, aplicada inicialmente na concessionária Ecovias Sul. Foi um projeto realizado por meio do RDT (Recurso de Desenvolvimento Tecnológico) do contrato da Ecovias Sul e, em 2025, recebemos o prêmio GRI Infra Awards pela iniciativa.
Todas essas são soluções para camadas mais profundas, onde usamos grande volume de material, e com a vantagem de a mistura poder ser feita no próprio local da fresa, ou em usinas móveis, sempre analisando o impacto do transporte do RAP (emissão e custo). Ou seja, o uso do RAP traz vantagens que vão além da reciclagem, é um processo que gera ganhos técnicos, econômicos e ambientais com redução das emissões de CO2, contribuindo, inclusive para a estratégia climática do grupo e suas metas de redução de gases de efeito estufa. São iniciativas que resultaram em ótimo desempenho e foram escaladas para diversas concessionárias do grupo, hoje o de maior extensão de malha viária concedida do país, com 4,8 mil quilômetros de rodovias.
Mas, a solução do RAP não é limitada apenas a camadas profundas. Desde 2019, utilizamos o material em camada de revestimento/rolamento. A iniciativa começou na Ecovias Sul e hoje adotamos o RAP em praticamente todas as nossas obras de recapeamento. Além disso, no nosso laboratório central, em São Bernardo do Campo, nos nossos laboratórios avançados e com universidades parceiras, desenvolvemos misturas com ligantes modificados por aditivos que aumentam a flexibilidade ou a rigidez da massa asfáltica que serão aplicados em diferentes circunstâncias conforme o tipo de tráfego e condições do trecho rodoviário.
Também adotamos camadas ultra delgadas, ou seja, menos espessas e, consequentemente, com redução de material – solução que tem sido bastante vantajosa em situações em que os problemas do pavimento não são estruturais, mas o trecho apresenta alguma deficiência funcional como trincas, afundamentos e problemas que afetam o conforto do usuário. Em casos assim, desenvolvemos novas tecnologias para que a intervenção seja adequada à gênese do problema e as camadas ultra delgadas, adaptadas à função de cada segmento da rodovia, o que têm sido uma boa resposta para diversas situações.
Mantemos, ainda, squads de inovação voltados para uma pavimentação que traga avanços na segurança e conforto dos usuários das rodovias. Para isso, fazemos, por exemplo, dosagens especiais do pavimento para termos efeito de macro e microtextura do revestimento para melhorar a drenagem, o ruído, a aderência e o consumo de combustível e de pneus. Sendo aderência e redução de spray de água os indicadores mais importantes por terem relação direta com a segurança viária.
Essa busca por otimização de recursos, segurança, ganhos ambientais e redução da dependência do asfalto e do cimento também passa pelos processos da etapa de execução da pavimentação e pela escolha de equipamentos considerando qualidade executiva. Nas especificações técnicas que apontamos para os prestadores de serviço da EcoRodovias, incluímos o uso de tecnologia de ponta para o processo de microfresagem e compactação do pavimento, como sensores ultrassônicos que resultam na redução da irregularidade longitudinal e aumentam a qualidade de acabamento.
Por fim, acreditamos que inovação em engenharia não se resume à escolha entre asfalto e concreto, mesmo porque cada tecnologia é mais adequada para situações específicas e, muitas vezes, não competem entre si. A verdadeira evolução está em ter um leque de soluções que nos dê liberdade para aplicar a melhor em cada contexto, com base em dados, desempenho técnico e responsabilidade ambiental. É isso que norteia a atuação da EcoRodovias e sustenta nosso compromisso com a excelência em infraestrutura.
¹ Valor Econômico - "Calor leva concreto a desafiar asfalto em rodovias"
(*) Filippo Chiariello, Diretor Engenharia na EcoRodovias
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